Quando eu estava grávida, eu conversava bastante com o Enry.
Sempre achei isso bem importante.
Depois que o filhote nasceu, passei não só a conversar, mas
explicar todos os nossos passos, desde o primeiro dia de vida. No começo,
falava bem baixinho, bem pertinho do ouvidinho dele.
Quando era a hora do banho, eu explicava todos os procedimentos.
Ou quando era num daqueles dias chatos de vacina, eu explicava que ia picar e que
talvez doesse um pouco, mas isso era muito importante e que ele teria que
aguentar firme.
Hoje ele tá com quatro anos e a rotina de explicações e conversas
segue quase do mesmo jeito. Quase porque agora ele questiona!
Na hora do banho, ele argumenta, explica que não quer agora,
pede mais cinco minutos, tenta reverter o quadro e escapar do banho lembrando
que já tomou banho (ao que respondo: “sim, é verdade! Você já tomou um montão
de banho na tua vida, mas vai ter que tomar mais um”) e assim seguimos com
todos os outros afazeres e decisões que tomamos.
Claro que a grande maioria das coisas tem que ser conversada
minutos antes do que estou planejando. Ele ainda não tem noção de tempo, então
contar uma coisa hoje (uma festinha, por exemplo) que só vai acontecer daqui há
três dias ou mais, só causa ansiedade e impaciência no filhote.
E nessa semana que passamos uma noite em observação no hospital,
(contei no meu blog aqui) foi que me dei conta do tamanho do bem que eu estou
fazendo ao meu filho. Foi uma noite bem estressante, eu estava com muito medo,
o pai dele também. E acho fundamental não deixar que ele perceba isso. Acho
importante que ele encontre segurança nas únicas pessoas que ele conhece naquele
lugar estranho, cheio de coisas assustadoras (agulhas assustam até marmanjos!)
e pessoas desconhecidas.
E esse hábito passa muita segurança pra ele. Desde o
primeiro momento que percebi que teria que leva-lo ao PS, falei pra ele que como
eu não sabia o que ele tinha, era muito importante a gente conversar com o médico,
porque ele poderia nos ajudar.
Fiz isso durante a noite toda. Todo medicamento, eu
explicava pra ele pra que servia, toda agulhada eu repetia que sabia que ele
estava com medo, mas que era muito importante, pois isso o ajudaria a ficar bom
logo. A cada banho gelado eu dizia que entendia que ele não queria tomar banho,
que sabia que a água estava fria, mas que era preciso pra ajudar a baixar a
febre. E sempre repetindo o amor que sentíamos por ele.
E cada vez que eu olhava no olhinho dele cheio de lágrimas e
falava sobre os procedimentos com muita calma (que só Deus sabe de onde vem!)
ele engolia o choro, tentava questionar, mas no final respondia: “Tá mamãe!”.
Outra coisa legal é que ele me pede pra que eu converse com
os médicos sobre coisas que ele não quer fazer, tipo, ele não quer deitar na
maca pra fazer um exame que pode ser feito sentado, eu sempre digo que vou
conversar com o médico e na hora do exame eu digo “Doutor, o Enry queria muito
perguntar se pode fazer o exame sentado” ou “enfermeira o Enry queria que você
tirasse o acesso do bracinho dele com muito cuidado, porque ele está com medo”,
acho que isso nos aproxima, pois ele sente que estou do lado dele e humaniza os
profissionais também!
E isso acaba facilitando muito os procedimentos, pois ele
colabora!
Então mamães corujas, é assim que eu faço por aqui. Alguém
ai usa uma técnica diferente? Conta pra gente!
Por Ivna Pinna